eu sempre volto
seja pela raiva, pela angústia, pelos pés gelados e as mãos suadas em noites que nunca terminam
pelas lágrimas que não caíram, mas que pesam a ponto de fazer com que meus ombros permaneçam caídos enquanto eu bebo, danço, rio, trabalho e canto
volto como recompensa
porque eu aguento
aguento
aguento
mas não há quem não imploda
e eu também preciso de alívio
preciso respirar.
por medo de me perder pra sempre se não voltar
hoje eu voltei porque a clareza venceu.
não importa quem me afeta e incita as confissões exageradas e doentias que saem dos meus dedos,
é por mim que eu escrevo.
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