terça-feira, 28 de julho de 2020

terça-feira


eu sempre volto
seja pela raiva, pela angústia, pelos pés gelados e as mãos suadas em noites que nunca terminam
pelas lágrimas que não caíram, mas que pesam a ponto de fazer com que meus ombros permaneçam caídos enquanto eu bebo, danço, rio, trabalho e canto

volto como recompensa
porque eu aguento
aguento
aguento
mas não há quem não imploda
e eu também preciso de alívio
preciso respirar.

por medo de me perder pra sempre se não voltar

hoje eu voltei porque a clareza venceu.
não importa quem me afeta e incita as confissões exageradas e doentias que saem dos meus dedos,

é por mim que eu escrevo.

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